30 de out. de 2012

Cartas...



Hoje vou contar um caso pessoal.

Um dia desses cheguei tarde em casa, me arrumei pra dormir e quando me deitei, começaram os borbulhantes pensamentos da noite... Comecei aquele papo cheio de agradecimentos e pedidos com o cara lá de cima, era Deus e eu, só nós dois.

De repente meus pensamentos foram a caminho do meu pai, comecei a me emocionar, mas de forma preocupada.
Meu pai está passando por uma fase de difíceis decisões... talvez por isso tem se afastado tanto. Comecei então, a me imaginar escrevendo uma carta pra ele, comecei a pensar nas coisas que eu queria dizer e que colocaria talvez em uma carta, sim, é isso, eu queria escrever uma carta para o meu pai. Pensei: "Amanhã eu escrevo." Mas, sem mais nem menos, em uma ação involuntária, me levantei, acendi a luz, peguei um caderno e comecei a escrever para ele. Confesso que nunca escrevi tão rápido, foi um momento abençoado, algo ali iluminava a minha escrita e eu conseguia passar o que eu sentia para o papel de forma leve, quase um balé, entre lápis e papel.
 Depois de três páginas (frentes e versos, rs) escritas, minha mão começou a doer, então decidi me despedir. Quando percebi, eu estava banhada em lágrimas, algo muito verdadeiro tinha acontecido ali. Li a carta como sempre leio novamente qualquer coisa que eu escrevo, novamente me emocionei.

No outro dia decidi ir para a cidade onde meu pai mora, cheguei e antes de mais nada, entreguei a carta a seu destinatário. Pedi que lesse com muito carinho, pois foram palavras que vieram do coração e da alma e então saí.

No dia seguinte ele veio agradecer emocionado, disse que havia gostado muito, e que me escreveria uma carta também. Fiquei tão feliz!!! E espero ansiosa pela carta resposta.

Como disse a ele na carta, "acho que todas as pessoas que se amam de verdade deveriam trocar cartas, é algo tão poético e verdadeiro."

Acho que as cartas conseguem carregar a sua energia até o seu destinatário. Quem a lê consegue sentir sua emoção, e até mesmo ouvir a sua voz lendo a corrente de palavras... Um e-mail, um sms, um fax, nada disso consegue superar a emoção de receber ou de enviar uma carta. Para escrever uma, você se dispõe a escrever com as próprias mãos, a escolher o papel, a buscar o sentimento de cada palavra, e outras simples e ricas coisas...

E, nos dias de hoje é tudo tão impessoal, superficial, efêmero... Por que não escrever cartas, quando se tem algo a dizer que, pessoalmente talvez a garganta fecharia e impediria e fazê-lo? Cartas... A partir de agora, depois dessa primeira carta, depois de tantos anos sem escrever uma, sempre que eu puder, enviarei uma para um alguém especial em minha vida... Amigos, parentes, pessoas queridas...

Já faz tempo que penso nisso, que reclamo: "Nossa, faz anos que não recebo uma carta, ninguém mais faz isso."
Lembrei de quando eu era pequena e trocava cartas com amigos, trocava cartas com uma amiga que morava em outro estado, e era tão marcante. Que, agora que eu fiz a primeira nessas atuais circunstâncias virtuais, ela será a primeira de muitas e escreverei para muitas pessoas que fazem parte da minha história.

TEMTEM ISSO EM CASA! Escreva para o seu amor, escreva para o seu amigo(a), para sua avó, para o seu avô, sua mãe, seu pai, seu colega, seu vizinho... Mas, escreva. Eu vou resgatar essa "poesia" para minha vida. Resgate também. Acho uma boa!!!

- Juliane Lima

6 comentários:

  1. Te enviarei uma cartão-postal...de 'tão tão distante'...se é que me entende! rs.
    (ficaria feliz?)
    The Next Episode
    Aline Cardoso.

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  2. Eu tenho uma carta escrita para vc, aguardando endereço. Já tem mais de 4 meses...

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  3. Respostas
    1. É o tal do tempo... Mas, realmente, vc ta na lista dos que vou mandar cartas!!! Vou pegar seu endereço! hahaha

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