Eu
sempre acordava devagar, abria os olhos com dificuldade, esticava o corpo,
rolava para um lado, para o outro, até minha consciência acordar também e
dizer, - Vamos, é hora de levantar e
começar mais um dia. Então, o que restava era levantar... também devagar.
Das últimas vezes que lembro ter acordado assim, eu já estava desanimada,
querendo retrucar a autoritária consciência; - Pra quê? Por quê? Começar o que?
Então, como se ela tivesse
escutado, ela parou de falar, parou de dar ordens, e eu agora, acordo todos os
dias, quase sem querer acordar, em um pulo, no susto, abro os olhos como quando
alguém estala os dedos e com a força que bate um coração angustiado, respiro
como se não tivesse havido ar durante o sono. O que me resta é ir começar o tal
dia, aquele que a consciência costumava falar.

Tempos modernos...
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