3 de abr. de 2013

o EU de verdade


A busca mais implacável que pode existir, é a busca por nós mesmos. Podemos buscar muitas coisas na vida, com facilidade ou dificuldade, mas a busca por nós mesmos, que também podemos fazer(é claro), essa é a mais difícil, dolorosa, e creio eu, a de maior recompensa.

É cotidiano buscar um pão, buscar por momentos alegres, buscar por união, por paz, por amizades, por muitas coisas, mas a busca por nós mesmos, quase nunca é pensada, é desejada, é levada em consideração.

Buscar por mim, pelo meu EU. É engraçado e complexo. Por que preciso me buscar se eu estou aqui? Ora, não ache que esse superficial seja tudo. Existem muito mais coisas que se envolvem e se entrelaçam entre o céu e a terra, a vida e a morte, o preto e o branco, o amor e o ódio, os pensamentos e sentimentos, a luz e a sombra, o olhar e o refletir, julgar e ser julgado, a cura e o medo, e... o "equilíbrio em mim".

Eu sou (na verdade, penso ser) capaz de julgar meu próximo; minha mãe, meu pai, meu irmão, minha avó, meu namorado, como se eu soubesse ler o olhar, o gesto, a lágrima, a palavra, a meta, o sentimento, a visão, a saudade, a atitude, a essência de cada um, como se eu soubesse do EU deles, mais do que eles mesmos.

Todos nós (automaticamente) fazemos isso. Porém, não paramos para pensar, para saber, para entender ou para fazer algo com o nosso próprio EU, aquele EU mais profundo e fenomenal. Nós simplesmente não olhamos para dentro de nós de forma inteira.
E se nós olhamos, é algo que sempre trás um “mas”, um “se”, um “quem sabe”. – Eu gosto mesmo de tal coisa, mas... – Se eu fizer isto que tanto desejo, tal pessoa pode na gostar e/ou tal coisa pode dar errado. – etc.

Preocupamos demais com qual forma o exterior reagirá se fizermos, ou mudarmos algo pelo nosso EU. E também, preocupamos demais em fazer isso com o EU dos outros do que com o nosso EU. Mas, a verdade não é que preocupamos tanto com os outros, nós temos medo de nos encararmos de fato, de não gostarmos do que vamos descobrir, ou nos envergonharmos, ou mesmo, não sabermos mais viver se não for do jeito que EU quero, pois o outro pode se decepcionar.

Nessas horas muitos velhos ditados fazem todo sentido – “Pimenta nos olhos do outro é refresco.” E outros.  Devíamos viver menos capitalisticamente, hipocritamente, medrosamente... erroneamente.

Onde está o meu EU? Quem EU sou realmente? O que EU quero?
 Quanta complexidade. Ainda assim, vou em busca do meu eu, a cada dia.



“Deus está em mim, como eu estou.”

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